Liderança
Matheus Richardson

Existe uma pergunta que os empresários raramente fazem com seriedade suficiente: Por que o nível de liderança no Brasil é tão consistentemente medíocre?
Não me refiro à exceção. Toda geração produz líderes extraordinários. Falo do padrão geral. Da dificuldade estrutural, sistemática, quase universal de encontrar pessoas que pensam com profundidade, julgam com discernimento e governam a si mesmas com suficiente ordem para conduzir outros, visto que deveria ser a competência mínima para ser um líder. Saber conduzir outros!
Uma dificuldade assim, tão ampla, tão persistente, tão comum entre todos os setores e regiões do país, não pode ser explicada por, apenas, má sorte ou por variáveis econômicas e políticas. Exige uma causa mais profunda que existe. Tem nome, tem história e tem autores.
Gramsci e a hegemonia cultural
Em 1930, Antonio Gramsci, filósofo marxista preso por Mussolini, desenvolveu nos seus Cadernos do Cárcere uma tese que mudaria a estratégia da esquerda revolucionária para sempre.
Gramsci percebeu que a tomada do poder pelo proletariado não poderia ocorrer apenas pela força, como Lenin havia tentado. As sociedades ocidentais eram mais complexas: sustentavam-se não apenas por coerção estatal, mas por consenso cultural, um conjunto compartilhado de valores, narrativas e visões de mundo que legitimam a ordem existente.
Para mudar a ordem, era preciso mudar o consenso. E para mudar o consenso, era preciso capturar as instituições que o produzem: a escola, a universidade, a imprensa, a arte, a Igreja e a família.
A essa estratégia Gramsci chamou de hegemonia cultural. A outros intelectuais da tradição, especialmente os da Escola de Frankfurt, coube desenvolver os instrumentos filosóficos: a teoria crítica, a desconstrução dos valores ocidentais, o relativismo como método.
O objetivo declarado não era apenas a revolução política. Era a dissolução dos fundamentos culturais sobre os quais a civilização ocidental se erguia: a família, a autoridade, a religião, a tradição, a noção de verdade objetiva.
O relativismo como arma filosófica
Aqui está o núcleo da questão, e é aqui que a maioria das análises sobre liderança e educação fica aquém do que deveria.
O relativismo cultural, a tese de que não existe verdade objetiva, apenas perspectivas históricas e culturais, não é uma posição filosófica neutra. É uma arma. E sua eficácia está precisamente em parecer tolerante, aberta, progressista.
O problema é a consequência lógica que ele carrega e o impacto no desenvolvimento da intelectualidade, pois se não existe verdade objetiva, não existe bem e mal objetivos.
Se não existe bem e mal objetivos, não existe virtude. Se não existe virtude, não existe critério para distinguir uma boa liderança de uma má. Se não existe esse critério, o poder pertence simplesmente a quem domina a narrativa.
Aristóteles compreendia que a capacidade de governar não é técnica, é moral. Que o phronimos, o homem prudente, capaz de deliberar corretamente sobre o que fazer, só existe onde há formação do caráter orientada por valores objetivos. Destrua esses valores e você destrói, na raiz, a possibilidade de formar líderes reais.
Como isso chegou ao Brasil
No Brasil, a estratégia gramsciana encontrou solo particularmente fértil nas universidades a partir dos anos 1960 e 70, e um instrumento pedagógico de enorme eficácia: a obra de Paulo Freire. A Pedagogia do Oprimido reconfigurou o processo educativo não como transmissão do conhecimento acumulado pela civilização, que é o que a educação clássica sempre foi, mas como instrumento de conscientização política. O professor virou opressor. O conteúdo clássico virou colonialismo. A autoridade intelectual virou violência simbólica.
O efeito prático foi a remoção sistemática do currículo daquilo que forma as faculdades superiores do ser humano: filosofia, lógica, retórica, ética, história da civilização ocidental… O que ficou foi o tecnicismo: treinar para executar funções, não para pensar sobre fins.
Paralelamente, os interesses oligárquicos que sempre operaram na captura das instituições brasileiras encontraram nessa desordem cultural um ambiente favorável. Uma população sem referências sólidas de verdade e de bem é uma população mais fácil de manipular, pelo consumo, pela narrativa política, pelo medo.
O resultado de décadas desse processo não é apenas político. É antropológico.
O custo na sua organização
Tudo o que descrevi acima chega até você todos os dias, na qualidade das decisões da sua equipe, na dificuldade de construir cultura, na impossibilidade de encontrar sucessores à altura do que você construiu.
O colaborador que não consegue exercer julgamento autônomo não é só preguiçoso. É o produto de uma formação que nunca desenvolveu nessa capacidade, porque a formação que a desenvolveria foi sistematicamente retirada do currículo.
O gestor que reage em vez de agir, que confunde cargo com autoridade, que não consegue conduzir com firmeza porque não governa a si mesmo, não precisa de mais um treinamento de liderança. Precisa do que lhe foi negado desde a escola: formação humana integral.
O que a tradição clássica oferece como resposta
A boa notícia, se é que podemos chamar assim, é que o conhecimento de como formar bons líderes não se perdeu. Ele foi preservado pela tradição filosófica ocidental com uma precisão que a modernidade ainda não conseguiu superar.
Aristóteles sabia que o líder capaz de governar bem é aquele que desenvolveu a phronesis, a prudência prática: a capacidade de deliberar corretamente sobre o que fazer, levando em conta os fins certos e as circunstâncias reais. Essa capacidade não se instala por treinamento. Forma-se pelo desenvolvimento deliberado do caráter, ao longo do tempo, sob orientação de quem já a possui.
Os gregos chamavam esse processo de paideia, formação integral. Não para o mercado. Para a vida. Para o exercício legítimo do poder em benefício do bem comum.
O que isso exige de você empresário
Você não vai reformar o sistema educacional do Brasil. Mas pode fazer algo imediatamente mais importante: interromper o ciclo dentro da sua esfera de influência. Formando-se de verdade. Desenvolvendo o repertório intelectual e moral que o sistema não ofereceu. E tornando-se o tipo de líder que forma outros líderes, não porque tem o método certo, mas porque tem o caráter certo.
É para isso que existe a Formação Aristocrata do Instituto Althuris.
Um programa de formação intelectual, moral e emocional estruturado a partir dos fundamentos da filosofia clássica, da psicologia profunda, da antropologia filosófica e da ciência política, para dar ao líder o repertório necessário para compreender o tempo em que vive e para agir dentro dele sem se perder.
Porque a mudança real do Brasil não virá de Brasília. Virá dos líderes que decidirem buscar a excelência pessoal, e que desejam construir ao seu redor o tipo de cultura que o sistema se empenhou em destruir.
Clique no link abaixo e candidate-se à formação: